Shiva é um dos que compõem a trindade hinduísta. Ele anda com os demônios, se transfigura em mendigo, está à margem. O pai de sua futura esposa, Parvati, não queria que a bela donzela se casa-se com o estranho Shiva. Mas o casamento aconteceu.
Exú é o orixá mensageiro, faz a ligação do mundo terrreno com o espiritual. Aqui no Brasil foi sincretizado com o Diabo e isso vale muito para nosso texto. Shiva controla a serpente, é o deus do sexo tântrico, da fertilidade portanto. Exú é a "manifestação fálica", carrega um falo, portando também está ligado à fertilidade. Os dois expressam uma força ambígua. Os dois, para nós que escrevemos, trabalham com energias densas. Falamos de energias densas aqui como contrapostas às energias sutis. Jamais trabalharemos com o maniqueísmo contruído através de séculos, a saber, o bem e o mal.
Os dois tem um papel muito parecido, que está ligado à áreas que o ser humano tem receio de trabalhar. Para a descontrução do maniqueísmo imposto ao longo dos séculos citamos que Exú, em Cuba, é sincretizado com Jesus. Os dois fizeram a ligação do mundo espiritual com o terreno. Mas deixa pra lá...
A questão está em Exú e Shiva. Os dois trabalham com a densidade, são símbolos da fertilidade e executam um papel ambíguo em suas respectivas cosmologias. Por que não trabalhar com a hipótese de que os dois estão muito próximos no astral, ou ainda, mais abusadamente falando, que seriam a representação de uma mesma força em cosmologias diferentes?
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
horizontalidade
Um amigo. Coisa rara na humanidade. Falo de um amigo de verdade, onde as energias confluem para uma relação frutífera. Tal relação seria de tal forma que os dois horizontalmente aprendem. Nada de mestres, nada de discípulos. A relação não precisa ser vertical. Mestres comandam a mente alheia. Numa relação horizontal há liberdade e aprendizado. A rua, muito mais que a escola, é o lugar onde nos deparamos com o conhecimento, com a sabedoria. Por mais que a comunicação humana seja falha e limitada, na relação face a face aprende-se muito, e muito mais que nos livros.
Talvez seja a empatia, talvez a cumplicidade contruída. Talvez seja regate de relações de vidas passadas. Mas tudo isso não importa. As amizades contróem conhecimento e conhecimentos que se guardam para o resto da vida.
Talvez seja a empatia, talvez a cumplicidade contruída. Talvez seja regate de relações de vidas passadas. Mas tudo isso não importa. As amizades contróem conhecimento e conhecimentos que se guardam para o resto da vida.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
As cidades em Jacques Lévy e Calvino
“Jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. Contudo, existe uma ligação entre eles. A mentira não está no discurso, mas nas coisas”.
Capítulo 1_ A cidade é uma criança.
O verdadeiro valor desta oração não se encontra simplesmente na metáfora que a encerra, mas em outro aspecto da sua comparação entre os termos: a dificuldade de definição de qualquer um dos dois conceitos (“cidade” ou “criança”) enquanto objeto de pesquisa, embora, paradoxalmente, possamos afirmar que a respeito de ambos alguma coisa se sabe sobre o que é. São então dádivas envenenadas; quando dizemos “criança”, há constituída na história do pensamento uma facilidade aparente com a qual poderíamos recortar empiricamente o objeto e o mesmo se pode afirmar em relação à “cidade”, o que tem tornado conveniente a expressão de um simples postulado de existência do urbano como ponto de início para uma discussão sobre um conceito de cidade, já que ninguém sonharia em contestá-lo.
“Com essas notícias não falaria da verdadeira essência da cidade: porque, enquanto sua descrição desperta uma série de desejos que deverão ser reprimidos, quem se encontrar uma manhã em seu centro será circundado por desejos que despertam simultaneamente”.
Capítulo 2 _ Breve diálogo entre Jacques Lévy e Paul Vidal de La Blanche.
“A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente. A memória é redundante: repete os símbolos para que a cidade comece a existir.”
Jacques Lévy : Mas o que é uma cidade?
Paul Vidal de La Blanche: Vá ver na América.
Jacques Lévy: Se formos lá, encontraremos coisas paradoxais.
Paul Vidal de La Blanche: Se quisermos ver a vida urbana, entregue a ela mesma, agir em toda a sua força, é antes para os Estados Unidos que é preciso olhar. Uma civilização singularmente exclusiva.
Jacques Lévy: Exclusiva de quê?
Paul Vidal de La Blanche: Mantida na Europa, a “cidade” seria então desamparada na América.
Cidades visíveis
Para encontrar o objeto “cidade” eu proponho, uma vez não é costume, um desvio pelo empirismo. (Jacques Lévy)
Capítulo 1_ A cidade é uma criança.
O verdadeiro valor desta oração não se encontra simplesmente na metáfora que a encerra, mas em outro aspecto da sua comparação entre os termos: a dificuldade de definição de qualquer um dos dois conceitos (“cidade” ou “criança”) enquanto objeto de pesquisa, embora, paradoxalmente, possamos afirmar que a respeito de ambos alguma coisa se sabe sobre o que é. São então dádivas envenenadas; quando dizemos “criança”, há constituída na história do pensamento uma facilidade aparente com a qual poderíamos recortar empiricamente o objeto e o mesmo se pode afirmar em relação à “cidade”, o que tem tornado conveniente a expressão de um simples postulado de existência do urbano como ponto de início para uma discussão sobre um conceito de cidade, já que ninguém sonharia em contestá-lo.
“Com essas notícias não falaria da verdadeira essência da cidade: porque, enquanto sua descrição desperta uma série de desejos que deverão ser reprimidos, quem se encontrar uma manhã em seu centro será circundado por desejos que despertam simultaneamente”.
Capítulo 2 _ Breve diálogo entre Jacques Lévy e Paul Vidal de La Blanche.
“A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente. A memória é redundante: repete os símbolos para que a cidade comece a existir.”
Jacques Lévy : Mas o que é uma cidade?
Paul Vidal de La Blanche: Vá ver na América.
Jacques Lévy: Se formos lá, encontraremos coisas paradoxais.
Paul Vidal de La Blanche: Se quisermos ver a vida urbana, entregue a ela mesma, agir em toda a sua força, é antes para os Estados Unidos que é preciso olhar. Uma civilização singularmente exclusiva.
Jacques Lévy: Exclusiva de quê?
Paul Vidal de La Blanche: Mantida na Europa, a “cidade” seria então desamparada na América.
Cidades visíveis
Para encontrar o objeto “cidade” eu proponho, uma vez não é costume, um desvio pelo empirismo. (Jacques Lévy)
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
sinais diacríticos
O que os indivíduos modernos querem passar através de suas respectivas vestimentas? Os sinais diacríticos de uma pessoa definem o que ela é? Se montar está em voga? É difícil alguém sair de casa sem pensar na vestimenta que carrega. A moda, como conceito e prática, se fundamentou no século XIX. O ser humano, aí, nesse tempo, começou a pensar mais detidamente em suas vestes. Isto se deu na Europa, a massificação dos padrões de roupas; antes, se vestir bem era um previlégio dos nobres. Os dandys tiveram um grande papel nesse movimento. Não sabe o que é dandy? Dê uma procuradinha...
Porém, por mais que os padrões de vestimentas tenham se massificado a pouco tempo, o humano se veste desde à queda de Adão e Eva, quando eles comeram o Fruto da Árvore do Conhecimento do "Bem" e do "Mal". Nesta condição, eles se depararam com suas vergonhas. Tudo culpa da Serpente/Diabo/Sátanás. (risos...)
Então...
Passamos mensagens com o que vestimos? Traduzem ideologias pessoais? São simples traços de determinadas culturas, que se diferenciam aqui e acolá?Será que estamos no grande palco? Tal palco seria o magnífico teatro da vida, onde cada ser humano atua, literalmente, como um ator. A menor máscara existente é o nariz de palhaço. Uma das máscaras mais aceitáveis no mundo onde vivemos é o óculos escuro. Nele se esconde, se monta.
Não seriam as vestimentas máscaras e personagens que criamos dia após dia?
E viva Gisele Bündchen!
Porém, por mais que os padrões de vestimentas tenham se massificado a pouco tempo, o humano se veste desde à queda de Adão e Eva, quando eles comeram o Fruto da Árvore do Conhecimento do "Bem" e do "Mal". Nesta condição, eles se depararam com suas vergonhas. Tudo culpa da Serpente/Diabo/Sátanás. (risos...)
Então...
Passamos mensagens com o que vestimos? Traduzem ideologias pessoais? São simples traços de determinadas culturas, que se diferenciam aqui e acolá?Será que estamos no grande palco? Tal palco seria o magnífico teatro da vida, onde cada ser humano atua, literalmente, como um ator. A menor máscara existente é o nariz de palhaço. Uma das máscaras mais aceitáveis no mundo onde vivemos é o óculos escuro. Nele se esconde, se monta.
Não seriam as vestimentas máscaras e personagens que criamos dia após dia?
E viva Gisele Bündchen!
dedicatória à comunidade científica mundial
"... mas há fronteiras nos jardins da razão!"
Chico Science
Chico Science
sábado, 11 de outubro de 2008
silêncio
A ausência de som, o não falado. No silêncio se aprende. Buda iluminou-se em silêncio.Quem muito fala facilmente cai no erro. Perde-se muito tempo falando e escutando. No nada entendemos o tudo!
"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo." [em silêncio.]
Walter Franco
"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo." [em silêncio.]
Walter Franco
progresso II
Chama-se progresso o que é na verdade caos/destruição. Isso trará o fim da humanidade, por consequência. O planeta sofrerá muito com esse caminho, porém a Mãe Natureza é indestrutível; já a humanidade não. O homem está no caminho certo, se auto destruirá. Com o fim da humanidade o lema caos/destruição acabará. A natureza sofrerá muito mas não acabará. Com o fim do humano a ordem/harmonia será a regra. Destruição para o renascimento!
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